Na Segunda Série do Ensino Médio estudamos o Tchoukball - ai vai um texto para estudo
O tchoukball surgiu
de reflexões e pesquisas do doutor Hermann Brandt, um médico suíço nascido em
Genebra. No início da década de 1960, Brandt cuidou de muitos atletas que se lesionavam
na prática de esportes e essas lesões eram, em sua maioria, provenientes de agressões
dos adversários – o que é comum em modalidades de contato. Segundo Brandt, os
esportes não deveriam produzir campeões, mas contribuir para a construção de
uma “sociedade humana digna”. Para isso, ele criou esse esporte, que seria uma
mistura de pelota basca (esporte popular no País Basco, Espanha, mas
praticamente desconhecido no Brasil), handebol e voleibol.
O nome da modalidade faz alusão ao som
produzido pelo contato da bola como quadro de remissão (objeto usado como meio
para atingir o alvo, que, no tchoukball, é qualquer parte do campo de jogo).
Esse quadro é parecido com uma pequena cama elástica virada para a quadra. Pela
ausência
de contato físico entre os
participantes, essa modalidade é conhecida como o “esporte da paz”.
Ao criar esse novo esporte
a partir de outros já existentes, Brandt diferenciou-o dos esportes mais
conhecidos por quebrar alguns paradigmas. Primeiro, por não permitir o contato físico
entre os jogadores sem estabelecer uma divisão do território de ataque e
defesa, como acontece no voleibol, em que a rede faz a separação entre os
adversários. Aqui, as duas equipes podem ocupar o mesmo espaço na quadra.
Aliado a isso, está o segundo ponto diferencial: como não há contato físico, não
é permitido interceptar ou roubar a bola do adversário. Só se recupera a bola
em três situações: por consequência do erro de passe, da marcação de ponto ou
de uma defesa após o arremesso, ao final de um ataque do adversário. A defesa
sempre consiste em tentar recuperar a bola (rebote) após um arremesso da equipe
adversária.
Outra diferença das demais modalidades esportivas coletivas é que os
dois quadros de remissão não representam o alvo a ser acertado. Porém, para que
um ponto seja concretizado a partir de um arremesso (há outras formas de se
conquistar um ponto que serão apresentadas adiante), é preciso que a bola toque
no quadro. Dessa forma, acertar o quadro funciona como um meio para se
conseguir os pontos. Assim, o alvo passa a ser a quadra toda, pois se pode
arremessar em qualquer um dos dois quadros disponíveis. Como não há divisão de
espaços de ataque e defesa, a equipe precisa estar atenta e muito bem
distribuída pela quadra, além de realizar uma movimentação constante em função
dos passes da equipe adversária, pois, para recuperar a bola, é preciso estar
em boas condições para pegar o rebote.
Destacamos as principais regras oficiais:
-
jogo acontece em um terreno de 40 × 20 metros
(quadra oficial);
- a bola utilizada é a de handebol;
-
ao todo são
nove jogadores em cada equipe;
- para acertar
o alvo (a quadra), é necessário arremessar a bola em qualquer um dos dois
quadros de remissão (quadros de 1 X 1 m, inclinados a 55°) dispostos na parte
central da linha de fundo;
- o arremesso
não pode ser feito por trás do quadro (fora da quadra);
-
não há uma quadra ou um alvo específico a defender
ou a atacar, pois os dois quadros podem ser utilizados por ambas as equipes;
-
em frente a cada quadro, há uma área frontal, ou
zona proibida, em forma de semicírculo, com três metros de raio; o jogador
nunca pode invadir essa área com a bola, ao finalizar, ao pegar o rebote,ao
passar ou a recepcionar; depois de arremessá-la, caso o faça a partir de um salto,
poderá entrar na área proibida desde que sem a posse da bola;
- a duração do jogo para os homens é de três tempos
de 15 minutos cada um; para as mulheres e equipes mistas, três tempos de 12
minutos cada um.
Os pontos: O simples fato de
atingir o quadro não é suficiente para marcar pontos, pois ele funciona apenas
como um meio para obter a pontuação. Para conquistar algum ponto a partir do
arremesso, a bola deve tocar o quadro e cair em alguma parte da quadra (menos na
área que fica em frente aos quadros, a zona proibida). Um jogador concede
pontos à equipe adversária se: f não acertar o quadro após o arremesso;
·
após a finalização, a bola cair fora da quadra de
jogo;
·
após a finalização, a bola acertar o seu corpo;
·
antes ou depois de arremessar, a bola cair dentro
da área (zona proibida).
Se, após o arremesso, a bola for recuperada pela
equipe adversária, o jogo continuará normalmente.Após a concretização de um
ponto,a equipe adversária deverá repor a bola atrás da linha de fundo.
Os passes: Somente passes
aéreos são permitidos e ninguém pode interceptar um passe. Cada equipe pode
passar a bola, no máximo, três vezes (como no voleibol), porém sempre que a
bola for recolocada em jogo ou recuperada a partir de uma defesa da equipe que
foi atacada (pegar o rebote provocado após a bola bater no quadro), o primeiro
passe não é contado. O jogador de posse da bola só pode dar três passadas (como
no handebol) antes de passá-la ou arremessá-la ao alvo, mas sem quicá-la.
As faltas: Sempre que houver
alguma violação das regras, as faltas deverão ser cobradas no local onde
aconteceram ou onde a bola caiu. Ao repor a bola depois de alguma infração, o
jogador não poderá arremessá-la diretamente no quadro, ou seja, é necessário executar,
no mínimo, um passe antes da finalização. Se a bola tocar na borda do quadro após
um arremesso, o ponto não será computado. Esse caso representará uma falta e o jogo
será reiniciado pela equipe adversária do local onde a bola houver caído. Portanto,
um jogador comete falta quando:
·
desloca-se driblando com a bola no chãoou no ar;
·
efetua o quarto passe;
·
de posse da bola, sai da quadra ou entrana zona
proibida;
·
intercepta a bola (involuntariamente ou não) após
um passe da equipe adversária;
·
deixa a bola cair no chão no momento de um passe ou
recepção;
·
é tocado pela bola abaixo do nível da cintura (membros
inferiores);
·
pega a bola após a finalização de sua equipe;
·
impede o deslocamento do adversário (segurando, agarrando,
obstruindo a passagem etc.).
Fonte: Caderno do Professor - Currículo do Estado de São Paulo